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Blog Ananda Surya Yoga
       


por Juciara Cabral e Leandro Gomes

        Há muitos séculos que a tradição predominante no subcontinente indiano é o Hinduísmo , o qual conta hoje com mais de 789 milhões de seguidores no mundo inteiro. Na índia, que tem hoje uma população de 900 milhões de pessoas, estima-se que haja cerca de 750 milhões de hindus na Índia (Feuerstein, 1998).

A palavra "hinduísmo" é derivada de "hindu".

Na antiguidade, "hindu" queria dizer "aquele que habita o vale do rio Indo".

        O termo “Hinduísmo” é ambíguo. Às vezes se refere à cultura global de todos os habitantes da península, com exceção daqueles que se vinculam as religiões claramente definidas como o Budismo, o Islam e o Cristianismo. Sob um ponto de vista mais específico, o nome se aplica as varias tradições que têm um vínculo histórico e ideológico com a antiga cultura védica de seis mil anos atrás e que assumiram a sua forma características nos primórdios do primeiro milênio d.C.

        Segundo Feuerstein (1998), o Hinduísmo é mais do que uma religião. A semelhança das outras grandes religiões do mundo, é toda uma cultura datada de um estilo de vida próprio; é alem disso, caracterizado por uma estrutura social singular: o sistema de castas. Há milhares de anos que sociedade hindu se organiza em quatro estados sociais (varna), erroneamente chamados de castas: o estado sacerdotal ou brâmana, o estado guerreiro ou kshatriya, o estado do “povo comum” ou vaishya (que compreende agricultores, os comerciantes e os artesões em geral); e o estado servil ou shûdra

        A rigidez do sistema de castas foi sempre equilibrada por uma forte  tendência à flexibilidade ideológica. Assim, o Hinduísmo deu mostras de uma incrível capacidade de assimilar dentro de si até as coisas mais radicalmente opostas.

        Embora não exista uma data precisa a partir da qual possa se dizer que surge a civilização hindu, poderíamos localizá-la entre o declínio da civilização vêdico-harappiana (2200-1900 a.C.) e o século VI a.C., a partir do qual possuímos registros escritos (Kupfer, 2000).

        Não temos evidências históricas para o milênio anterior à época clássica na Índia, mas temos abundantes materiais nos planos filosóficos e religiosos. As primeiras escrituras do hinduísmo não possuem uma data precisa, foram compostas e transmitidas oralmente durante um lapso de tempo incerto antes de serem transcritas, embora a tradição oral (parampará) estivesse largamente desenvolvida.

 

O que as pessoas querem

 

        Segundo Smith (1991),se tomássemos o hinduísmo como um todo e comprimíssemos numa única afirmação, veríamos que ele diz: Você pode ter aquilo que deseja. Isso parece promissor, mas joga o problema de volta no nosso colo. Afinal o que é que nós queremos? A Índia tem vivido com essa pergunta há séculos e ainda espera uma resposta. As pessoas segundo ela, querem quatro coisas.

1)     Prazer – todos nós nascemos com receptores prazer/dor inerente, que servem para nos proteger, como por exemplo, se colocarmos a mão em cima de um fogão quente ou pulássemos da janela, não viveríamos por muito tempo. Para a pessoa que quer prazer, a Índia diz: Vá procura-lo – não há nada de errado com o prazer, o mundo esta cheio de beleza,cheio de deleites sensuais. Ela diz nem  todo impulso pode ser seguido impunemente, mas enquanto as regras básicas de moralidade forem obedecidas, você é livre para buscar todo o prazer que desejar. Longe de condenar o prazer, os textos hindus apontam maneiras de ampliar  seu raio de ação. Para as pessoas simples que buscam exclusivamente o prazer, o hinduísmo se apresenta como um regime que assegura riqueza e prosperidade; para os sofisticados, o hinduísmo elabora uma estética sensual que choca seu caráter explicito. Se é o prazer que você quer então procure-o inteligentemente. A Índia espera que todos, nem todos nesta vida, chegue a conclusão de que o prazer não é tudo que deseja, não porque seja  mau, mas por ser demasiado trivial para satisfazer a natureza total do ser humano.

2)     Sucesso -  esta é a segunda grande meta da vida, com seus três ramos: riqueza, fama e poder,que não de vê ser escarnecido nem condenado. Suas  satisfações perduram mais tempo, porque o sucesso (ao contrário do prazer) é uma conquista social e, como tal, envolve a vida dos outros. Por isso, o sucesso comanda alcance e importância muito além dos concedidos pelo prazer. A Índia reconhece que os impulsos por poder, posição e posses correm profundamente em nós. Uma quantidade módica  de sucesso mundano é indispensável para manter uma casa e desincumbir-se responsavelmente dos deveres cívicos. Além deste mínimo, as realizações mundanas conferem dignidade e respeito próprio. Mas essas recompensas têm um  fim, pois todas elas contêm limitações que podemos detalhar:

a – Riqueza, fama e poder são exclusivos; ao contrario dos valores mentais e espirituais, não se multiplicam quando compartilhados; não podem ser distribuídos sem diminuir a porção de quem os têm. Ex: se eu estou sentada nesta cadeira, você não pode ocupá-la. O mesmo ocorre com fama e poder. Se o poder fosse distribuído igualmente entre todos, ninguém seria poderoso no sentido que geralmente damos a palavra.

b – Impulso para o sucesso insaciável. Aqui precisamos de uma qualificação, porque as pessoas realmente conseguem uma quantidade suficiente de dinheiro, fama e poder. É quando elas fazem dessas coisas sua principal ambição que seus anseios não se satisfazem. Pois essas não são coisas que realmente as pessoas querem. Na expressão hindu, “Tentar deter com dinheiro o impulso para a riqueza é como tentar apagar o fogo jogando manteiga nele”. Também o Ocidente conhece esse argumento. “A pobreza não consiste na diminuição de posses de uma pessoa, mas no aumento da sua ganância” escreveu Platão.

c – O Terceiro problema do sucesso mundano é que ele esta excessivamente centrado no eu, que se mostra pequeno demais para um entusiasmo perpétuo.Nem fortuna nem posição obscurecem a percepção de que falta muito mais à pessoa. No fim todos querem muito mais que uma casa de campo, um carro esporte e férias em locais elegantes.

d – A última razão pela qual o sucesso mundano não nos satisfaz completamente é que suas conquistas são efêmeras. Riqueza, fama e poder não sobrevivem à morte física – “Do mundo nada se leva”, como bem sabemos todos nós.

 

3)     Desejo  - o caminho do desejo, os hindus localizam o prazer e o sucesso neste caminho. Eles usam essa expressão porque os desejos pessoais das pessoas têm sido da maior importância na cartografia do curso da sua vida.

4)     Renúncia -  o caminho da renúncia, esta palavra em um tom negativo; seu uso freqüentemente foi um dos fatores que deram a Índia sua reputação de estraga-prazeres e negadora da vida. Se a renúncia sempre acarreta o sacrifício de um agora trivial por um vir-a-ser promissor, a renúncia religiosa é como a dos atletas que resistem as tentações que os desviam de suas metas inflexíveis. O oposto exato da desilusão, a renúncia, nesse segundo modo, é prova de que a energia vital está fortemente em ação. Mas a renúncia tem duas faces. Ela pode provir da desilusão e do desespero, o sentimento de que não vale a pena continuar vivendo; mas também pode assinalar a suspeita de que a vida contém mais do que aquilo que agora experimentamos. O caminho da renúncia vem depois do caminho do desejo. Se as pessoas se satisfizessem seguindo seus impulsos, o sentimento de renúncia nunca surgiria. E tampouco ele ocorre para aqueles que falharam no caminho anterior – amantes desiludidos, que para compensar, entram num mosteiro ou convento. A renúncia é um ato de resgate – uma tentativa de aceitar da melhor maneira possível a derrota pessoal. As pessoas para viverem, precisam acreditar naquilo porque vivem. Enquanto não sentimos futilidade no prazer e no sucesso,  elas conseguem acreditar que vale a pena viver por eles.


O que as pessoas realmente querem


“Chegará o dia, em que alguém perguntará a Shakespere, ou mesmo a Beethoven, e isso é tudo”.

                                                                 Aldous Huxley, apud Smith, 1991.

 

        Enquanto as pessoas estão contentes com a perspectiva do prazer, sucesso ou do serviço, o sábio hindu provavelmente não as incomodará, além de oferecer algumas sugestões sobre o modo de proceder com eficácia. O Ponto crítico na vida chega segundo Smith (1991) quando essas coisas perdem seu encanto original e a pessoa se vê desejando que a vida tivesse algo mais a oferecer.

        A resposta hindu para essa questão é inequívoca. Prazer, sucesso e dever não são as metas mais importantes da humanidade, o que realmente queremos são coisas que repousam num nível mais profundo. Segundo o Hinduísmo queremos realmente três coisas:Existir – nenhum de nós se sente feliz pensando num futuro no qual não tomaremos parte, ninguém quer morrer.Conhecer – somos insaciavelmente curiosos. Alegria – um estado emocional que é o oposto da frustração, da futilidade e do tédio.

        E as pessoas querem essas coisas infinitamente. Uma característica da natureza humana é sua capacidade de pensar em algo que não tem limites: o infinito. O que as pessoas realmente querem é existir no infinito, o conhecimento infinito e a bem-aventurança infinita. Uma única palavra para definir esses três desejos é libertação (moksha) – libertar-se da finitude que nos afasta da existência, consciência e bem-aventurança ilimitadas pelo qual o nosso coração anseia.

        O que as pessoas realmente querem elas podem ter. Existência infinita, percepção infinita e bem-aventurança infinita estão ao nosso alcance, e como diz o Hinduísmo nós já possuímos.

        Segundo o Hinduísmo um ser humano não pode ser completamente explicado a menos que se observem os três aspectos que são corpo, personalidade e Atman-Brahman.

        Pó e sujeira vão se acumulando sobre uma lâmpada até encobrirem totalmente sua luz. O problema que vida apresenta para criatura humana é limpar o entulho que cobre seu ser, até permitir que seu centro infinito possa se mostrar em sua luminosa plenitude.

Além do interior

 
"A meta da vida, é chegar o mais longe possível da imperfeição".

                                                  Holmes apud Smith (1991).

 

        De acordo com o Hinduísmo a meta da vida é ultrapassar totalmente a imperfeição. Se fôssemos compilar um catálogo das imperfeições específicas que rodeiam nossa vida, seria um nunca acabar. Faltam-nos força e imaginação para realizar nossos sonhos; nós nos cansamos, adoecemos e somos tolos. Falhamos e perdemos a coragem; envelhecemos e morremos. Somos limitados na alegria, no conhecimento e na existência, as três coisas que as pessoas realmente querem.

        Começando com as restrições à nossa alegria, Smith (1991) classifica em três subgrupos: a dor física, a frustração que surgem dos impedimentos do desejo e o tédio com a vida em geral.

        I.      Dor física – a intensidade da dor se deve, em grande parte, ao medo que acompanha, dominar o medo reduzirá a dor, e também pode ser esquecida quando há um objetivo urgente. Mais séria é a dor psicológica que surge do impedimento de desejos específicos.

     II.       Ignorância – os Upanishads falam de “conhecer aquilo, cujo conhecimento traz conhecimento de todas as coisas. O conhecimento transcendente. A psicologia acadêmica não o seguiu ao longo de todo o caminho, mas está convencida de que há muito, mas na nossa mente do que parece à superfície”.

   III.      Existência restrita -   Para considera-la benéfica temos que definir a fronteira do Eu, claro que não definimos com a quantidade de espaço físico ocupado pelo nosso corpo. Precisamos então, abordar a questão do ser não apenas em termos espaciais, mas em termos de tempo. E o Hinduísmo, leva isso muito além, propondo um eu extenso que vive vidas sucessivas, assim como uma única vida vive momentos sucessivos.

 

        A literatura hindu é rica em metáforas e parábolas destinadas a nos despertar para as “minas de ouro” que repousam ocultas nas profundezas do nosso ser. Somos como reis que, vítimas de um ataque de amnésia, vagueiam pelo reino vestindo andrajos, sem saber quem realmente somos. Ou como um filhote de leão que, separado da mãe, é criado por ovelhas e se acostuma a pastar e balir, acreditando ser também uma ovelha. Somos como o amante que, no sonho, corre mundo desesperado em busca da amada, esquecido de que ela está deitada do seu lado.

Quatro caminhos para a meta


        Todos nós habitamos as margens do oceano infinito de poder criador da vida. Nós o carregamos dentro de nós: a suprema força, a plenitude da sabedoria, a alegria irreprimível. 

        De acordo com o Hinduísmo, as orientações para realizar o potencial humano vêm sob o título de yoga.  Houve tempo em que a palavra yoga evocara a imagem de um homem desgrenhado, vestindo uma tanga, contorcendo o corpo até se tornar um ó humano e acenando com poderes ocultos. Mas agora que o ocidente já se apropriou do termo, é mais provável de pensarmos em mulheres flexíveis, fazendo exercícios de yoga para manter a boa forma. Nenhuma dessas imagens está totalmente divorciada da palavra yoga, mas se relaciona apenas com seus aspectos físicos. A palavra yoga deriva da mesma raiz do inglês yoke (junta e jugo); o qual tem duas conotações: unir e colocar sob treinamento disciplinado. Estas duas conotações estão na palavra sânscrita. Na definição geral, yoga é um método de treinamento que visa levar a integração ou a união. Mas integração com quê?

        Algumas pessoas estão interessadas principalmente no próprio corpo. E para isso, a Índia inventou a mais fantásticas escola de cultura física que o mundo já viu. Enquanto o ocidente busca força e beleza a Índia se interessa por precisão e controle, tendo como ideal completo de todas as funções corporais. Com essas instruções vemos que se trata do yoga autentico: a hatha yoga. Originalmente praticada como exercício preliminar a yoga espiritual, ela perdeu grande parte dessa conexão.

        Segundo os sábios hindus, coisas incríveis podem ser feitas com o corpo se você estiver disposto a dar sua vida ao projeto, mas essas coisas pouco têm a ver com a iluminação.

        As yogas que nos interessa são aquelas destinadas a unir o espírito humano com Deus que se oculta em seus mais profundos recessos.

        São quatro os caminhos espirituais abertos para os hindus na direção desta meta. As pessoas se aproximam da meta a partir de diferentes direções, de modo que é preciso haver múltiplos caminhos para um destino em comum. O Hinduísmo dedica a identificação dos tipos básicos de personalidade espiritual e as disciplinas que mais funcionarão para cada um deles, que segundo os ele são quatro: pessoas basicamente reflexivas, basicamente emocionais,essencialmente ativas e inclinadas à experimentação. Para cada um desses tipos de personalidade o Hinduísmo prescreve um yoga distinto. 

        O primeiro passo de toda yoga, envolve os hábitos de não ferir, honestidade,não roubar, autocontrole, limpeza,contentamento, autodisciplina e um desejo irresistível de atingir a meta.

 O caminho para Deus por meio do conhecimento

        A jnana yoga destinada a aspirantes espirituais que têm forte inclinação reflexiva, é o caminho para a unidade com o Divino por meio do conhecimento. É um discernimento intuitivo transformador, acabando por transformar a pessoa naquilo que ela conhece. Pensar é importante para essas pessoas. Elas vivem muito na mente porque as idéias têm, para elas, uma vitalidade quase palpável; ela cantam e dançam as idéias.

        O Hinduísmo mostra alguns projetos para o desenvolvimento do eu, como mostram os passos a seguir:

            1º passo -  a chave para o desenvolvimento é o discernimento, o poder de distinguir entre o eu da superfície e o eu maior, que esta fora de vista. O aspirante é apresentado à perspectiva de que seu eu essencial é o próprio ser.

            2º  passo – pensamento, a hipótese apresentada no primeiro passo ganhará vida. Inúmeras linhas de reflexão são propostas para esse projeto. Por exemplo o discípulo é aconselhado a examinar nossa linguagem cotidiana e ponderar suas implicações.  A palavra “meu” sempre implica uma distinção entre o possuidor e aquilo que é possuído. A tarefa do iogue é corrigir essa falsa identificação. Voltando para dentro de si sua percepção consciente, o indivíduo deve perfurar as incontáveis camadas da personalidade do até, depois de rompe-las todas, alcançar o ator anônimo e alegremente desapegado que se esconde por baixo delas.

           3º passo – Transferir sua auto-identificação para sua parte permanente. O caminho direto para ela é imaginar-se Espírito. A pessoa precisa abrir o difícil caminho entre seu ego, encapsulado sob a pele, e seu Atman; como ajuda ela pode imaginar o ego na terceira pessoa. Pensar em si mesmo na terceira pessoa produz efeitos simultaneamente. Abre o difícil caminho entre a nossa auto-identificação em um nível mais profundo, até que finalmente, por meio de um conhecimento idêntico ao ser, a pessoa se torne plenamente aquilo que sempre foi no coração.

 
Caminho para Deus por meio do Amor

        Bhakti yoga é o direcionamento para Deus o amor que repousa no fundo do seu coração. A vida é dinamizada menos pela razão que pela emoção; e das muitas emoções que habitam o coração humano, a mais  forte é o amor. Ao contrário do caminho do conhecimento, a bhakti yoga tem incontáveis seguidores e, na verdade, goza da maior popularidade. Todos os princípios básicos da bhakti yoga são ricamente explicados no cristianismo. No ponto de vista hindu, o cristianismo, é iluminado caminho bhakti para Deus.

 
        Aos bhakti, para quem os pensamentos são mais reais do que os pensamentos, Deus surge diferente em cada um dos casos abaixo:

            Primeiro: como amor saudável se exterioriza, o bhakta rejeitará toda sugestão de que o Deus amado por uma pessoa seja ela própria, mesmo o seu eu mais profundo, e insistirá na alteridade de Deus.

            Segundo: persuadido da alteridade de Deus. O bhakta tentará não se identificar com Deus e sim adorar a Deus com cada elemento do seu ser.

        Tudo o que fazemos nesta yoga é amar a Deus de todo coração – não apenas afirmar esse amor, mas amar a Deus realmente; amar apenas Deus sem quaisquer outros motivos mas apenas pelo próprio amor.

        O Hinduísmo tem seus símbolos magníficos, suas centenas de imagens de Deus, seus rituais que se mantêm girando noite e dia, como infindáveis rodas de oração.  Vistas como um fim essa coisas poderiam ocupar o lugar de Deus, mas não é essa a intenção.

        Três características de abordagem bhakta merecem menção: Japam; encontrar as variedades do amor; e a adoração do ideal escolhido por cada pessoa.

a.      Japam é a prática de ficar repetindo o Nome de Deus.

b.      Encontrar variedades no amor dá uso religioso ao fato de que o amor assume diferentes nuanças de acordo com o relacionamento envolvido.

c.      Adoração a Deus na forma do ideal escolhido por cada pessoa. Os hindus representam Deus de inúmeras formas, isso, dizem eles, é apropriado. Cada forma nada mais é que um símbolo  apontando para algo além dele; e como nenhum símbolo esgota a verdadeira natureza de Deus, é preciso uma série toda para completar o retrato dos aspectos e manifestações de Deus.

 
 Caminho para Deus por meio do Trabalho


“Tens direito ao trabalho, mas não aos frutos do trabalho”

                                                                       Gita

        O Terceiro caminho para Deus, destinado as pessoas com inclinação ativa, é a Karma yoga. O trabalho é à base da vida humana. A questão é simplesmente que todos nós, com exceção de uns poucos, precisamos trabalhar para sobreviver. O impulso para o trabalho é psicológico e não econômico. Você pode encontrar Deus nos mundos dos negócios cotidianos, com tanta facilidade quanto em qualquer outro lugar. Atire-se ao trabalho, mas com sabedoria, de uma maneira que lhe traga as mais altas recompensas, não só trivialidades.

        Aprenda o segredo do trabalho, pelo qual cada movimento leva você na direção de Deus, mesmo quando realiza outras tarefas. Ao escolhes o caminho do trabalho, o karma iogue já mostrou sua inclinação para a atividade, mas ainda resta a questão de saber se a disposição coadjuvante é predominantemente afetiva ou reflexiva. A resposta a esta questão mostra se iogue aborda o trabalho intelectualmente ou no espírito do amor. Na linguagem dos quatro yogas, a karma yoga seria praticada em um destes modos: jnana (conhecimento) ou bhakti (devocional).

        O melhor caminho para as pessoas emocionalmente inclinadas a prestar serviço altruísta é por em jogo sua natureza ardente e apaixonada, trabalhando pelo bem de Deus, em vez do seu próprio. Tal pessoa é tão ativa quanto antes, mas agora trabalha por uma razão diferente: por dedicação.

        Realizadas dentro desse espírito,as ações iluminam o ego, em vez de estorva-lo. Cada tarefa se  torna um ritual sagrado, amorosamente cumprido como sacrifício vivo a gloria de Deus.

        O caminho que leva a iluminação é o caminho do trabalho realizado com desapego do eu empírico. Especificamente, consiste em traçar uma linha entre o eu finito que age, por um lado, e por outro, o Eu eterno que observa a ação.

        O bhakta busca sua “auto-anulação” , dando seu coração e sua vontade ao Companheiro eterno e, com isso, encontrando-se mil vezes enriquecidos. O jnani também se volta para o encolhimento do ego, convencido que difere radicalmente da sua máscara superfície, “um sublime habitante espectador, transcendendo as esferas do sistema consciente-incosciente anterior, distanciadamente indiferente às tendências que antes apoiavam a biografia individual”.

 
O caminho para Deus por meio de exercícios psicofísicos.


        Raja yoga é conhecido na Índia como o “caminho real (raj) da integração”. Destinada às pessoas com inclinação científica, ela é o caminho para Deus por meio da experimentação psicofísica.

        A raja yoga esboça uma série  de passos que devem ser seguidos com tanto rigor quanto os passos de uma experiência da física. Se esses passos não produzirem as conseqüências esperadas, a hipótese será  rejeitada, pelo menos para aquele experimentador em particular.

        Ao contrário da maioria dos experimentos nas ciências naturais, os do raja yoga, são feitos no nosso próprio eu e não na natureza exterior. O iogue não faz nenhuma experiência no seu corpo, mas na sua mente. Os experimentos tornam da prática de exercícios mentais prescritos e da observação de seus efeitos subjetivos.

        Nenhum dogma precisa ser aceito, mas os experimentos exigem hipóteses destinadas a aceitá-los ou rejeitá-los. A hipótese subjacente do raja yoga é a doutrina hindu do eu humano.

        A teoria postula que o ser humano é composto por camadas. Para  este propósito segundo Smith (1991), basta resumir a hipótese, resumindo em quatro camadas principais.

1.      Corpo

2.      Mente

3.      Subconsciente individual

4.      Ser, infinito, desimpedido, eterno.

 

        O propósito do raja yoga é demonstrar a validade desse exame quádruplo do eu humano, levando o pesquisador à experiência pessoal direta do além interior. Sua intenção é direcionar a energia psíquica do eu para a sua parte mais profunda, a fim de ativar o continente perdido do verdadeiro eu. Se o empreendimento for precipitado, sem ordem nem método, no melhor dos casos haverá considerável perda de tempo e, no pior, a consciência se desintegrará numa psicose. Feito de maneira correta, sob a supervisão de quem conhece o terreno, tornará o iogue capaz de integrar os insight e experiências que surgirem, saindo da experiência com autoconhecimento ampliado e maior autocontrole.

        O Hinduísmo mostra que seu modo de viver depende não só do tipo de pessoa que você é, mas também o estagio da vida no qual você está agora.

1.      Estudante

2.      Casamento

3.      Sannyasin – aquele que não odeia ou ama coisa alguma.

 

 “Tu diante de quem todas as palavras recuam”

 

        As pessoas estão sempre tentando captar a realidade com palavras, e acabam encontrando apenas um mistério que censura seus discursos e um silencio e um silêncio que e engole suas sílabas. O problema não é pouco brilho na nossa mente. O problema é mais profundo. A mente, tomada no seu sentido comum de superfície, é o instrumento errado para essa tarefa. A mente humana evoluiu para facilitar a sobrevivência do mundo natural. As yogas como vimos são exatamente os caminhos para percepção.

        Contudo, não podemos evitar que as palavras e conceitos. Sendo como único equipamento à disposição da nossa mente, qualquer progresso na direção de Deus terá de ser feito com sua ajuda. O máximo que se pode dizer das palavras é que elas são ponteiros; é melhor que nossa mente se mova na direção que elas apontam do que na direção oposta.

 Que tipo de mundo temos? O Hinduísmo responde:


1.      Um mundo múltiplo, que inclui incontáveis galáxias horizontalmente, incontáveis camadas verticalmente e incontáveis ciclos temporalmente.

2.      Um mundo moral, onde a lei do karma nunca é suspensa.

3.      Um mundo mediano, que nunca substituirá o paraíso como destino do espírito.

4.      Um mundo que é maya, enganosamente ardiloso por passar sua multiplicidade, sua materialidade e suas dualidades absolutas, quando elas na verdade são temporárias

5.      Um campo de treinamento no qual as pessoas podem desenvolver suas altas capacidades.

6.      Um mundo que é lilá, jogo do Divino na sua Dança Cósmica – incansável, infinda, irresistível, mas absolutamente benéfica, como uma garça nascida da vitalidade infinita.

 

Muitos caminhos para o mesmo topo.

 

        Os Vedas anunciam a clássica alegação hinduísta de que várias religiões são, todas elas, linguagens diferentes por meio das quais Deus fala ao coração humano. “A verdade é uma só; os sábios a chamam por diferentes nomes”.

        Um dos santo hinduístas do século XIX buscou Deus nas práticas de inúmeras das grandes religiões do mundo. Sucessivamente, buscou Deus por intermédio da pessoa de Cristo, dos ensinamentos sem imagens dirigidos a Deus do alcorão, de várias incorporações de Deus do Hinduísmo. Em cada caso o resultado foi o mesmo: O mesmo Deus foi revelado (disse ele), ora encarnado em Cristo, ora pela boca do profeta Maomé, ora sob os disfarces de Vishnu, o Preservador, ou de Shiva, o Destruidor. Dessa experiência surgiu um conjunto de ensinamentos sobre a unidade essencial das grandes religiões, que compreende a voz mais sutil do hinduísmo sobre esse tópico.

 

 

Referências Bibliográficas

 

KUPFER P. A literatura hindu e a síntese do hinduísmo. WWW.yoga.pro.br em 24.07.2000 acessado em 6 de julho de 2005.

SMITH H. As religiões do mundo. Ed Cultrix, SP. 1991

FEUERSTEIN G. A tradição do yoga: historia, literatura, filosofia e pratica. Ed Pensamento. SP, 1998.

 

Copyright © 2006 Juciara Cabral & Leandro Gomes. Reprodução autorizada com autorização por escrito dos autores.



 
   
   
   
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