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Blog Ananda Surya Yoga
       


por: Juciara Cabral e Leandro Gomes

Data: 08/07/2007 

Sarasvati é a deusa hindu da sabedoria, das artes e da música e a shákti, que significa ao mesmo tempo poder e esposa, de Brahma, o criador do mundo.

 

                                               A Paz Interior


  Quando todos os sentidos foram serenados, quando a mente

está em repouso, quando o intelecto não mais oscila – nesse

momento é conhecido o mais elevado estado de divindade

A quietude dos sentidos e da mente foi definida como yoga

Aquele que a alcança  liberta-se da ilusão.

Katha Upanishad apud Swami Bhaskarananda (2005)

 

        Quando você perde contato com sua calma interior, perde contato com você mesmo. Quando perde esse contato , fica perdido no mundo.

        Quando você percebe o silêncio, instala-se imediatamente uma calma alerta no seu interior. Você está presente. Nesses momentos você se liberta de milhares de anos de condicionamento humano coletivo (Tolle, 2005).

        Olhe uma árvore , uma flor,uma planta. Deixe sua atenção repousar nelas. Note como estão calmas, profundamente enraizadas no Ser. Deixe que a natureza lhe ensine o que é calma.

         Sempre que aceitar profundamente o momento como ele é - qualquer que seja sua forma -, você experimenta calma e fica em paz.

         Preste atenção nos intervalos – o intervalo entre dois pensamentos, o curto espaço entre as palavras e frases numa conversa, entre as notas de um piano ou de uma flauta ou o intervalo entre inspiração e expiração.

        A verdadeira inteligência atua silenciosamente. A calma é o lugar onde a criatividade e as soluções de problemas são encontradas.

                                                   Sabedoria para Viver

O que é sabedoria e onde pode ser encontrada?

        A sabedoria vem da capacidade de manter a calma e o silêncio interior. Veja e ouça apenas. Não é preciso nada além disso. Manter a calma, olhando e ouvindo, ativa a inteligência que existe dentro de você. Deixe que a calma interior oriente suas palavras e ações.

        A sabedoria não é um produto do pensamento, ela é um profundo conhecimento que vem do simples ato de dar atenção a alguém ou alguma coisa. A atenção é a inteligência primordial, a própria consciência. Ela dissolve as  barreiras criadas pelo pensamento, levando-nos a reconhecer que nada existe em si e por si. A inteligência une a pessoa que percebe ao objeto percebido, num campo unificado de percepção. É a atenção que cura a separação.

        A infelicidade não vem dos fatos isolados da sua vida, mas do condicionamento da sua mente.

 

                                                O “Eu” Autocentrado

 

Yogas citta vritti nirodhah

O aquietamento das ondas mentais é yoga.

 Yoga Sutra 1-2

Swami Satchidananda, 2000.

 

           A mente está sempre querendo alimentar-se para pensar. Ela procura alimento para sua própria identidade, para seu sentido de ser. É assim que o Ego se cria e recria continuamente.

          Quando você pensa ou fala  a respeito de si mesmo, quando diz “eu”, está se referindo a “eu e minha história”.

           Esta falando do ego com seus gostos e desgostos, medos e desejos, o ego que nunca se satisfaz por muito tempo. Essa noção que sua mente tem de você, condicionada pelo passado e buscando encontrar sua plenitude no futuro.

          O ego está sempre buscando sem cessar isso ou aquilo para se sentir mais completo. Isto explica por que ele se preocupa compulsivamente com o futuro.

          Ao viver através do ego, você faz do momento presente apenas um meio para atingir um fim. Você viver em função do futuro, mas quando atinge seus objetivos, eles não o satisfazem – ou não o satisfazem por muito tempo.

          Ao perceber que está “vivendo para o momento seguinte”, você descobre que começou a abandonar o padrão da mente autocentrada. Torna-se então possível escolher concentrar toda sua atenção no momento presente. E ao concentrar toda a atenção no momento presente, uma inteligência muito superior à da mente autocentrada entra em sua vida.

          Quando você dá mais atenção ao que esta fazendo do que ao resultado que quer alcançar com sua ação, rompe o velho condicionamento autocentrado. Sua ação presente se torna não só muito mais eficaz como infinitamente mais satisfatória e gratificante.

Alguns fatores que fortalecem o Ego:

  • Identidade de vítima
  • Ressentimento e a magoa
  • Reclamar e reagir contra isso ou aquilo
  • Inveja (subproduto do ego)
  • Estar em conflito (com alguém ou alguma coisa)
  • A culpa

      A divisão da vida em passado, presente e futuro é uma construção da mente, em última análise ilusória.
 


                                                   Atenção no Agora

 

Quando qualquer experiência do corpo, do coração ou da mente

continua a se repetir na consciência, é sinal de que esse “visitante”

está exigindo uma atenção mais plena e profunda.

Satchidananda (2000)

         Quando o Agora é a base e o foco principal em sua vida, ela flui com facilidade.

         Nossas dificuldades exigem a mais compassiva atenção. Assim como na alquimia o chumbo pode ser transformado em ouro, quando colocamos nossas pesadas dificuldades – seja do corpo, da mente ou do coração – no centro da nossa prática, elas podem tornar-se mais leves para nós, iluminadas. Em geral, essa tarefa não é a que gostaríamos de fazer, mas a que temos que fazer. Nenhuma quantidade de meditação, yoga, dieta e reflexão irão fazer  desaparecer todos os nossos problemas; mas podemos ir transformando as dificuldades dentro da nossa prática até que, pouco a pouco, ela nos guiem no nosso caminho (Kornifield, 1993).

         Concentrar sua atenção no Agora não é negar o que é necessário em sua vida. É reconhecer o que é prioridade. Concentrar-se no Agora não é dizer “Não vou me preocupar mais com as coisas, pois só existe o Agora”. Não é isso. Veja o que é prioritário e faça do Agora seu amigo e não seu inimigo, reconheça-o, respeite-o.

         O agora é como é porque não pode ser de outro jeito. Os budistas sempre souberam e os cientistas hoje confirmam: não existem fatos ou coisas isolados. Por baixo da aparência superficial, todas as coisas estão ligadas, todas fazem parte da totalidade do cosmos que deu origem à forma do momento presente.

        Quando se diz “sim” às coisas como são, você entra em harmonia com o poder e a inteligência da própria Vida. Só então pode se tornar agente de uma mudança positiva no mundo.

        O importante é não confundir o conteúdo do momento presente com o Agora. O Agora é mais profundo do que qualquer conteúdo que existe nele.       

 
 

O passado serve para aprendermos com ele;

O futuro é objeto de planejamento;

É no presente que vivemos.

É aqui e agora que podemos interferir no mundo

 a nossa volta e em nós mesmos,

que podemos provocar mudanças.

Weiss (1998).

 

            Quando entra no Agora, você sai do conteúdo da sua mente. A incessante corrente do pensamento desacelera. E você começa a perceber que seu Ser é mais profundo que seus pensamentos.

            Quando concentra sua atenção no Agora, você se dá conta de que a vida é sagrada. Existe algo de sagrado em tudo que  você percebe quando se concentra no presente. Quanto mais você viver no Agora, mais vai sentir a simples e profunda alegria de Ser e do caráter sagrado da vida.

 

                                                   Eu Interior (Jivatma)

 

            Eu não sou meus pensamentos, não sou minhas emoções, minhas percepções sensoriais e minhas experiências. Não sou o conteúdo da minha vida.

            Sou o espaço no qual todas as coisas acontecem. Eu sou consciência. Sou o Agora. Eu Sou.

 

                                               Aceitação e Desapego

 

 O agarrar-se à vida, fluindo pela sua própria potência

 (devido à experiência passada), existe até no sábio.

Yoga Sutra 2-9, Satchidananda (2000)

 

            Quantas vezes durante o dia, se você fosse verbalizar sua realidade interior, teria de dizer “Não quero estar onde estou”? Como é sentir que não quer estar onde está – num engarrafamento, no seu local de trabalho, na sala de espera do aeroporto, ao lado de determinadas pessoas?

É verdade que é ótimo conseguir sair de certos lugares – e às vezes é a melhor coisa que se pode fazer. Mas, em muitos casos, você não tem possibilidades de sair. Em todos estes casos, o “Não quero estar onde estou” não só é inútil quanto prejudicial. Deixa você e os outros infelizes.

 

Aonde quer que vá, você se leva.

Em outras palavras: você esta aqui. Sempre.

Tolle (2005)

 

            O “não” reativo e habitual fortalece o ego, o “eu” autocentrado. O “sim:” o enfraquece. Seu ego não é capaz de sobreviver à entrega. Quando você diz “sim” para as situações da vida e aceita o momento presente como ele é, sente uma profunda paz interior.

            A aceitação e entrega se tornam muito mais fáceis quando você percebe que todas as experiências são fugazes e se dá conta de que o mundo não pode lhe oferecer nada que tenha um valor permanente. Ao aceitar e entregar-se, você continua a conhecer pessoas e a se envolver em experiências e atividades, mas sem os desejos e medos do “eu” autocentrado. Ou seja, você deixa de exigir que uma situação, uma pessoa, um lugar ou um fato o satisfaçam ou o façam feliz. A natureza passageira e imperfeita de tudo pode ser como é.

            E o milagre é que, quando você deixa de fazer exigências impossíveis, todas as pessoas, situações, lugares e fatos ficam satisfatórios e muito mais harmoniosos, serenos e pacíficos.

            A aceitação e a entrega existem quando deixamos de perguntar mais “Por que isso foi acontecer comigo”?.

            Às vezes, entregar-se significa desistir de querer entender e sentir-se bem com o que você não sabe.

            Há um ditado sânscrito que diz: “Mana Eva manushyanam Karanam bandha mokshayoho.”  “O homem é aquilo que pensa; servidão ou libertação  estão em sua mente.” Sentir-se aprisionado é estar aprisionado. Sentir-se liberto é estar liberto. As coisas lá fora nem o aprisionam nem o libertam; somente sua atitude perante elas faz isto (Swami Satchidananda, 2000).

            Quando fazemos alguma coisa diversas vezes, torna-se um hábito. Se continuarmos com este hábito por algum tempo, tornar-se-á uma característica nossa. Se conservarmos esta característica, tornar-se-á, finalmente, talvez em outra vida um instinto. 

            A cura da mente ocorre de duas maneiras: na primeira, conduzimos a atenção ao conteúdo dos nossos pensamentos e aprendemos a redirecioná-los  mais habilmente através de práticas de sábia  reflexão. Através da atenção plena, podemos vir a conhecer e a  reduzir os padrões da preocupação e obsessão inúteis, a esclarecer nossa confusão e a liberar as visões e opiniões destrutivas. Podemos usar o pensamento consciente para refletir mais profundamente naquilo a que damos valor; na segunda, para uma cura mais profunda dos conflitos mentais precisamos desapegar da nossa identificação com estes conflitos. Para encontrar a cura, precisamos aprender a nos afastar de todas as histórias da nossa mente, pois os conflitos e opiniões dos nossos pensamentos nunca cessam.

            De acordo com Frawley (1996), todas as doenças afloram do uso inapropriado dos sentidos, que pode ser excessivo, deficiente ou insatisfatório.

            O modo como usamos nossos sentidos determina o tipo de energia que assimilamos do mundo exterior, desde o alimento até as emoções.

            Como disse Buda, “As pessoas com opiniões apenas andam em círculos, incomodando umas as outras”. 

            Segundo Kornifield (1993), muitas praticas budistas usam a repetição de certas frases para romper antigos e destrutivos padrões repetitivos de pensamentos, a fim de efetuar a mudança.

 A mente cria o abismo o coração o transpõeSri Nisarfatta apud Kornfield (1993)

 

           Muitos dos sofrimentos do mundo surgem quando a mente está desligada do coração. Na meditação, podemos nos religar com o nosso coração  e descobrir um sentimento interior de amplidão, de unidade e de compaixão, subjacente a todos os conflitos do pensamento.      Somente quando houver equilíbrio na mente e compaixão no coração é que poderá ocorrer o verdadeiro desapego.

           Ao desenvolver essa habilidade na meditação, será possível despegar-nos de certos estados difíceis assim que eles surgem. Esse desapego não contém, em si, nenhuma aversão – trata-se de uma escolha orientada para abandonar um estado mental e calmamente focalizar a nossa concentração de maneira mais hábil no momento seguinte. Essa habilidade cresce com a prática. Ela surge à medida que nossa serenidade vai crescendo. Ela pode ser cultivada, mas nunca forçada.

 

                                                    Meditação

 

Dentro de você existe um silêncio e um santuário

aos quais pode se retirar a qualquer momento e ser

você mesmo.

Hermann Hesse, Sidarta (2004)

 
Aquietai-vos, e sabei que sou Deus.

Salmo 46:10

 E, ali sentado, ereto e imóvel, com os sentidos e a mente

perfeitamente controlados e a alma

unipolarizada (focada num único ponto), pratica o homem yoga

 a fim de conseguir a purificação da sua alma  divina.

Rohden (2004), Bhagavad Gita cap 6-12


 De acordo com os sábios, deveríamos meditar unicamente para atingir a finalidade mais elevada da vida humana, que é realizar a divindade ou a verdade última (Bhaskarananda, 2005). 

Para a maioria das pessoas a meditação está relacionada a coisas como relaxamento físico, redução de estresse e paz de espírito. Embora esses sejam objetivos válidos, o verdadeiro propósito da meditação é algo superior e mais espiritual. Afinal, os yogues e os profetas que primeiro reconheceram e aperfeiçoaram os princípios da meditação já viviam bem relaxados nas montanhas nas quais se retiravam. Eles começaram a praticar a meditação para encontrar o self. Seu objetivo não era o descanso, mas a iluminação.

A ciência moderna consegue isolar um pensamento ou uma intenção uma fração de segundo depois de eles nascerem. Mas nenhuma máquina criada pelo homem é capaz de revelar a verdadeira origem desse pensamento. É inútil procurar essa fonte no corpo ou na mente, porque ela simplesmente não está lá.

É como desmontar o rádio na expectativa de encontrar lá dentro o intérprete da música que se está ouvindo. O cantor não estará dentro do rádio, que não passa de um conjunto de plástico e mental projetado para captar um campo de informações e convertê-las numa ocorrência no espaço e no tempo.

Da mesma maneira, o verdadeiro "você" é um campo não-localizado que o corpo e a mente captam no espaço e no tempo. A alma se expressa através do corpo e da mente, mas mesmo que essas duas entidades fossem destruídas, nada aconteceria ao verdadeiro "você" porque o que eu decidi chamar de “espírito incondicional" não se encontra em forma de matéria ou energia (Chopra,1990).

Na verdade, ele existe nos momentos de silêncio entre um pensamento e outro. Há um intervalo entre cada pensamento em que você faz as escolhas.

Esse intervalo é a porta de entrada do self superior o self cósmico. O verdadeiro "você" não está limitado pelas fronteiras físicas do corpo nem pela quantidade de anos que já viveu, mas pode ser encontrado no espaço infinitamente pequeno e ao mesmo tempo imenso que existe entre seus pensamentos.

Apesar de silencioso, esse espaço é cheio de possibilidades, um campo de potencialidade pura e limitada. Todas as diferenças entre eu e você resultam das diferentes escolhas que fizemos nesse espaço, e essas possibilidades são sempre renovadas. As ações geram lembranças... as lembranças geram desejos... e os desejos criam ações e assim por diante, num círculo que não tem fim. As sementes das lembranças e dos desejos continuamente buscam se expressar através de mecanismos mentais e corporais, criando assim o mundo que experimentamos a cada momento. Vamos analisar melhor esse processo. 

Num sentido amplo, nossa existência pode ser entendida em três níveis distintos.O primeiro nível, composto de matéria e energia, é o corpo físico.O segundo, que é chamado de corpo sutil, inclui a mente, o raciocínio e o ego.E o espírito e a alma existem no terceiro nível, que é chamado de corpo causal.

Através da meditação podemos retirar a consciência do caos interno e externo do primeiro nível o mundo de objetos físicos e pensamentos cotidianos e transportá-la para o estado de tranqüilidade e silêncio característicos da alma e do espírito. Com prática e dedicação, é possível alcançar o imenso conhecimento e desvendar as verdades definitivas da natureza.

             Nove Obstáculos Mencionados por Patãnjali (Yoga- Sutras)

                                        apud Bhaskarananda (2005)

 

1- Enfermidade (vyadhi)

O corpo e a mente de uma pessoa comum são duas coisas estreitamente ligadas. Se algo acontece com o corpo, a mente é afetada. Quando o corpo adoece, a mente é afetada e não consegue meditar. Um estilo de vida saudável e moderado pode impedir muitas doenças, mas se elas aparecem é preciso procurar a ajuda de médicos para cura-las.

2- Falta de interesse (styana)

Por vezes, pode existir falta de interesse em meditar. Alguns yogues afirmam que não importa o quanto seja difícil ou desagradável, somente um esforço persistente e incansável realizado com grande firmeza permite superar esse obstáculo.

3- Dúvida  (samshaya)

Dúvidas sobre a eficácia e o propósito da meditação podem surgir ocasionalmente.

4- Ilusão (pramada)

Significa desenvolver raciocínio equivocados sobre como utilizar as diferentes técnicas de concentração que conduzem ao samádhi. A mente dominada pela ilusão envolve-se na perigosa busca de alcançar objetivos mundanos, esquecendo-se dos benefícios da meditação e de outras disciplinas espirituais ou, o que é pior, imaginam ter feito grandes avanços espirituais quando, na realidade, não fizeram progresso nenhum

5- Letargia (alasya)

Esse obstáculo manisfeta-se sob forma de massiva letargia física e mental provocada pelo predomínio de tamas, torna a mente apática e faz com que se perca a vontade de meditar. Podemos elimina-lo por meio de determinação e persistência.  Uma dieta que deixe o corpo mais leve e alerta pode ajudar a superar esse obstáculo.

 
6- Relutância em abandonar os prazeres dos sentidos (avirati)

O apego aos prazeres dos sentidos é um enorme obstáculo à meditação, pois leva a pessoa à não querer privar-se deles (avirati). Quem pratica meditação deve afastar-se desses  prazeres se quiser superar esse obstáculo, o que pode ser feito pela admissão dos malefícios que ele provoca. Alguém viciado em bebida, por exemplo, pode livrar-se do vicio se for capaz de perceber os efeitos prejudiciais do álcool. De acordo com Patãnjali, meditar no coração puro de uma pessoa santa, que já superou o apego aos objetos dos sentidos, também pode ser um auxílio na superação desse obstáculo nós nos transformamos naquilo em que pensamos com grande concentração.

 
7- Concepções erradas (bhanti-darshana)

Uma concepção errada provém de um entendimento falso. Confundir o que é prejudicial à vida espiritual como sendo benéfico, e o que é benéfico como sendo prejudicial, é fazer uma avaliação equivocada. Essa forma errada de pensar constitui, sem dúvida, um obstáculo a yoga.

 
8- Não alcançar êxito em nenhum estágio de concentração (alabdha-bhumikatwa)

A capacidade de concentração é alcançada em etapas. Para superá-lo  é preciso ser persistente e seguir os passos da meditação até que um grau de concentração efetivo seja alcançado. Depois de atingir o primeiro nível, é preciso empenhar-se ainda mais para obter níveis de concentração mais elevados.

9- Inabilidade de manter o nível de concentração conquistado (anavasthitatwa)

 Mesmo depois que um determinado nível de concentração tiver sido alcançado, é possível perde-lo.  Para supera-la é preciso intensificar ainda mais a prática da meditação. Perseverança é a chave para eliminar esse obstáculo.

 

Patãnjali cita ainda mais cinco obstáculos que são chamados de Kleshas , são eles:

1.      Ignorância da nossa natureza divina (avidya)

2.      Egoísmo (asmita)

3.      Apego (raga)

4.      Aversão (dwesha)

5.      Aferrar-se a vida (abhinivesha)

 

Ainda podemos acrescentar mais dois obstáculos experimentados pelos aspirantes espirituais segundo Bharkarananda (2005), tentação e medo intenso.

Uma mente concentrada 6é calma, serena e imune a quaisquer perturbações físicas. De acordo com Patãnjali  uma mente desconcentrado ou distraída provoca quatro distúrbios físicos e mentais.

1.   Sofrimento (dukha) – conforme a tradição hindu pode ser de três tipos: o primeiro surge na mente por si só, o segundo é infligido pelos outros, na forma de ofensas ou ferimentos e o terceiro é provocado por calamidades ou atos de Deus, tais como terremotos, inundações devastadoras, etc. Todos os três perturbam o processo de meditação. De acordo com Patãnjali quem medita na Luz situada na região do coração consegue livrar-se do sofrimento.

2.   Desespero (daurmanasya) – é causado pela decepção de não conseguir var as expectativas se concretizarem. Para impedir o desespero é preciso reduzir as expectativas.

3.   Tremor nervoso involuntário do corpo (anga-mejayatwa) –  ataques de fúria que abalam o sistema nervoso, quando a mente está concentrada e calma esses temores nervosos não acontecem

4.   Respiração irregular (shwasa-prashwasa-vikshepa) – mente descontrolada e sem concentração agita-se ao sabor das diferentes disposições do espírito, o que torna a respiração irregular. A pratica da respiração rítmica e regular, sob orientação de um mestre qualificado, capacita a pessoa que medita a superar a irregularidade respiratória.

 

        A meditação atenciosa, o método que apresentado aqui, é uma excelente maneira de começar.

                                       Meditação Atenciosa

 

        Trata-se se uma técnica simples de desencadear um estado de relaxamento profundo de corpo e mente. À medida que a mente se aquieta e permanece desperta você vai se beneficiar de um estado de consciência mais profundo e tranqüilo.

1. Antes de começar, encontre um local silencioso em que não vá ser perturbado.

2. Sente-se e feche os olhos.

3. Concentre-se na respiração, mas inspire e expire normalmente. Não tente controlar ou alterar a respiração deliberadamente. Apenas observe.

4. Ao observar a respiração, vai ver que ela muda. Haverá variações na velocidade, no ritmo e na profundidade, e pode ser que ela pare por um momento. Não tente provocar nenhuma alteração. Novamente, apenas observe.

5. Pode ser que você se desconcentre de vez em quando, pensando em outras coisas ou prestando atenção aos ruídos externos. Se isso acontecer, desvie a atenção para a respiração.

6. Se durante a meditação você perceber que está se concentrando em algum sentimento ou expectativa, simplesmente volte a prestar atenção na respiração.

7. Pratique esta técnica durante quinze minutos. Ao final, mantenha os olhos fechados e permaneça relaxado por dois ou três minutos. Saia do estado de meditação gradualmente, abra os olhos e assuma sua rotina.

        De acordo com Dr. Deepak Chopra (1990), a prática da meditação atenciosa deve ser feita duas vezes ao dia, de manhã e no final da tarde. Se estiver irritado ou agitado, pode praticá-la por alguns minutos no meio do dia para recuperar o eixo.

        Na prática da meditação você vai por uma de três experiências. Mas deve resistir à tentação de avaliar a experiência ou sua capacidade de seguir as instruções, porque as três reações são "corretas".

1.      Você pode se sentir entediado ou inquieto, e a mente vai se encher de pensamentos. Isso significa que emoções profundas estão sendo liberadas. Se relaxar e continuar a meditar, vai eliminar essas influências do corpo e da mente.

2.      Você pode cair no sono. Se isso acontecer durante a meditação, é sinal de que você anda precisando de mais horas de descanso.

3.      Você pode entrar no intervalo dos pensamentos... além do som e da  respiração.

        Se descansar o suficiente, mantiver a boa saúde e devotar-se todos os dias à meditação, você vai conseguir um contato significativo com o self. Vai poder se comunicar com a mente cósmica, a voz que fala sem palavras e que está sempre presente nos intervalos entre um pensamento e outro. Essa é a sua inteligência superior ilimitada., seu gênio supremo e verdadeiro, que, por sua vez, reflete a sabedoria do universo. Tudo estará a seu alcance se confiar na sabedoria interior.


                                                 Mente sã, corpo são

 

ॐ   Meditar ajuda na liberação de endorfina, um forte tranqüilizante que provoca a sensação de alegria e de bem estar.

ॐ   Diminui a produção de adrenalina e cortisol, hormônios secretados em situações de estresse, e de radicais livres, substâncias que atuam no envelhecimento humano.

ॐ   Quem medita tem auto-estima mais elevada, maior poder de concentração, mais facilidade para aprender coisas novas e maior poder de raciocínio. Isso porque o fluxo sanguíneo aumenta na região do cérebro que comanda essas funções.

ॐ   Meditadores também são mais tolerantes, estão mais preparados para lidar com situações difíceis e conseguem se relacionar melhor com os outros.

ॐ   Por fim, quem medita fortalece o sistema imunológico, que fica mais resistente a doenças psicossomáticas, como gastrite e enxaqueca e a doenças autoimunes, como a esclerose múltipla e a artrite reumatóide.

Fonte: Khalsa (1997).

 

Referência Bibliográfica:

 

BHASKARANANDA, SWAMI. Meditação – A mente e a Yoga de Patanjali. RJ: Ed. Lótus do Saber, 2005

CHOPRA, D. Saúde Perfeita. SP: Editora Best Seller, 1990.

FRAWLEY, D. Uma Visão Ayurvédica da Mente. SP: Ed. Pensamento, 1996.

HESSE, H. Sidarta Rio de Janeiro: Ed. Record, 2004.

KHALSA. MD. Longevidade do Cérebro. Rio de Janeiro: Ed Objetiva, 1997.

KORNFIELD, J. Um caminho com o coração. SP: Ed. Cultrix, 1993.

ROHDEN, H. Bhagavad Gita, A sublime canção. SP: Ed Martin Claret, 2004.

SATCHIDANANDA, Swami. Yoga Sutra de Patanjali. Belo Horizonte: Gráfica e editora Del Rey Ltda., 2000.

TOLLE, E. O poder do Silêncio. Rio de Janeiro: Sextante, 2005.

WEISS, B. Meditando com Brian Weiss. Rio de Janeiro: Sextante, 1998.

 

 

Copyright © 2006 Juciara Cabral & Leandro Gomes. Reprodução autorizada com autorização por escrito dos autores.

 

 
   
   
   
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