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Por Bir Krishna Prabhu (DVS), Facilitador do Instituto Bhaktivedanta para Auto-Realização – IBAR. Uberaba, MG. 27/05/2007.

Das vinte quatro horas do dia, passamos a maior parte do tempo trabalhando, numa jornada de pelo menos oito horas. Isto é um terço do dia é empregue no trabalho, sendo o restante dividido entre as demais atividades que fazem parte da rotina diária, como lazer, estudo, alimentação, higiene pessoal e descanso. No entanto, a idéia que fazemos do trabalho é muitas vezes errônea. Isto é na falta de um principio norteador, de um ideal pelo qual queremos trabalhar, que está intimamente ligado à aspiração mais profunda da nossa natureza, acabamos reduzindo nosso trabalho a uma mera tarefa mundana que garante o nosso sustento. Com isso, integramos um contingente de milhares de pessoas que se arrasta diariamente sem animo e entusiasmo para o local de trabalho, lamentando não ter sido agraciado com uma vida em que não se precisasse trabalhar, não ter nascido num berço de ouro, ficando assim a salvo da dura luta pela sobrevivência.

 

Alguém poderá perguntar o que vem a ser este ideal? Este tem a ver com a justaposição do nosso talento especifico com a demanda do ambiente. A este respeito o filósofo grego disse: “Na confluência entre seus talentos e as necessidades do mundo, ai está a sua vocação”. Isto pode ser facilmente ilustrado se pegamos o exemplo de vida deixado por Srila Prabhupada. Imagine uma pessoa que aos setenta anos resolve deixar a sua terra natal, principalmente a sagrada Vrindavana, o lugar onde o Senhor desempenhou Seus passatempos infantis, para pregar além mar, nos Estados Unidos, para dali espalhar para o mundo inteiro, os ensinamentos do bhagavata-dharma, o resgate de nossa posição constitucional como servos do Senhor Krishna e de nossa relação eterna com Ele.

 

Qual era o talento de Srila Prabhupada? Nasceu numa família vaishnava, educado num ambiente que estimulou a sua santidade para que se tornar-se servo de Sri Sri Radha-Krishna. Por outro lado, qual era a demanda do ambiente identificada por Srila Prabhupada? Uma sociedade carente de valores espirituais e desprovida de uma verdadeira educação neste sentido. Conseqüentemente seu ideal foi trabalhar para a criação de uma sociedade internacional de devotos de Krishna que pudesse auxiliar as pessoas a cumprir o verdadeiro propósito da vida – a elevação à consciência de Krishna. Ai está a materialização da máxima enunciada por Aristóteles, citada anteriormente. Daí a pergunta, qual o meu, o seu ideal, sem qual, qualquer trabalho perde o seu significado, e tornar-se sem se sequer percebermos uma fonte de lamentação e degradação? Orientando-nos a este respeito, o Senhor Krishna define no Bhagavad-gita (18.26-28), três classes de trabalhadores, conseqüentemente, três etapas de trabalho que acompanham o ser vivo em sua caminhada rumo à perfeição da renuncia. Estas três classes de trabalho são intimamente ligados aos três modos da natureza material que dão um certo colorido a cada uma dessas classes. Assim, podemos diferenciar esses trabalhadores pelos critérios que se seguem.

 

O trabalhador no modo da bondade, atua:

 executando seu dever sem entrar em contato com os modos da natureza material; sem falso ego; com grande determinação e entusiasmo; e sem se deixar levar pelo sucesso ou fracasso. Srila Prabhupada resume a atuação de semelhante trabalhador do seguinte modo: “Ele não fica na expectativa dos resultados do trabalho que lhe foi confiado, porque está acima do falso ego e do orgulho. Mesmo assim, é sempre entusiasta até o termino de cada obra”.

 

Quanto ao trabalhador no modo da paixão, ele desempenha suas tarefas:

 apegando-se aos frutos do trabalho, desejando gozar egoisticamente dos mesmos; é sempre movido pela cobiça, inveja, e é inescrupuloso, ou seja, é capaz de qualquer coisa para atingir seus objetivos; se deixa afetar pela alegria e tristeza. Em poucas palavras, Srila Prabhupada identifica semelhante trabalhador assim: “Pouco lhe interessa se seu ganho é limpo ou sujo. Fica muito feliz se seu trabalho tem êxito e fica muito aflito quando seu trabalho não é bem sucedido”.

 

E por fim, o trabalhador no modo da ignorância procede assim:

 executa seu dever pouco preocupado com ética, ou preceitos religiosos; é materialista, obstinado, trapaceiro, e perito em insultar os outros; é preguiçoso, sempre desanimado e irresoluto. Quanto a este trabalhador, Srila Prabhupada refere-se a ele nas seguintes palavras: “Mesmo que tenha algum dever, ele não o executa apropriadamente e deixa para fazê-lo mais tarde. Por isso, ele parece andar desanimado. Deixa tudo para amanhã; todo o que pode ser feito numa hora, ele leva anos e mais anos”.

 

Como se diz popularmente, agora vem a pergunta que não quer calar, aonde eu me encontro? Todos nós gostaríamos de responder sem sombra de duvida que somos trabalhadores no modo da bondade. Sim, até que às vezes num momento de muita inspiração atuamos no modo da bondade. Mas, o mais interessante mesmo é observar o quanto estes modos se misturam, se mesclam em nossas atividades no decorrer de nossa jornada de trabalho. Creio que o trabalho inicial se resume nisso, observar a atuação dos modos em nossas atividades rotineiras. Somente assim, se poderá transcendê-los em seguida, sendo completamente dependente da misericórdia do Senhor Krishna que é nirguna – isto é, acima dos modos da natureza material, e conseqüentemente o único capaz de libertar-nos de uma atuação mecânica e fazer com que sejamos capaz de realizar um trabalho consciente, na plataforma de suddha-sattva – bondade pura. 

 
HARE KRISHNA

 

fonte:http://groups.google.com.br/group/devotos


Copyright © 2006 Juciara Cabral & Leandro Gomes. Reprodução autorizada com autorização por escrito dos autores.


 
   
   
   
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